Google+

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Como se deve fazer uma greve

Eu tô sempre criticando, ao vivo ou em redes sociais, a maneira como se fazem greves. Eu não acho que deixar todo mundo na mão por meses  e reivindicar aumento (ou respeito, ou melhores condições de trabalho, ou...) funcione. Essa é uma tática desesperada, quando não se tem outro argumento. E ela vem sendo usada todo ano até por gente que ganha bem, tem respeito da sociedade, excelentes condições de trabalho, etc.
Aí eu vi essa carta, publicada na Tribuna de Minas, um jornal de Juiz de Fora - MG, no dia 10/09/2011 e achei o que estava procurando para dizer como deve ser um pedido de  aumento (ou respeito, ou melhores condições de trabalho, ou...): a tática tem que trazer a população ao seu encontro, mostrando que não é só você quem ganha, mas todo mundo. Nós sabemos que professores são tratados como escória e nos sentimos mal por isso? Claro! Mas ficar parado no trânsito, com compromissos, por mais de uma hora, pelo menos uma vez na semana NÃO AJUDA A CAUSA! Trás sentimento negativo e aquela expressão escrota na boca de muita gente: "bando de vagabundos, eu tenho mais o que fazer" e bum, lá se foi a compreensão.
Dêem uma olhada, espalhem, copiem, etc, nesse texto porque Isa Lúcia fez um apelo muito bacana, lembrando que ela se importa sim:
(está copiado como foi publicado. Apenas digitei a página)

Carta-resposta de uma mãe de aluno da rede municipal de ensino 
Juiz de Fora, 6 de setembro de 2011
Excelentíssimo Senhor Prefeito Custódio Mattos,
Após ler e reler a carta enviada aos pais de alunos da rede municipal, decidi que deveria respondê-la compartilhando com vossa excelência as minhas preocupações e observações de mãe. Meu filho cursa o 7º ano do ensino fundamental.
Começo observando que a Prefeitura se orgulha em dizer que o piso salarial para professores em Juiz de Fora por 20 horas semanais é de R$ 769,81, superando assim o piso nacional de R$ 593,50. Pois saiba que R$ 754,23, ou seja, R$ 24,58 a menos que o piso salarial da cidade, pago aos professores de meu filho, é o que eu recebo para exercer a função de padeiro. Acontece, excelentíssimo, prefeito, é que, na minha profissão, se erro em algum detalhe e a minha massa não cresce, eu posso dispensá-la e fazer outra. Agora, com a educação de meu filho, isso não é possível, os erros irão perpetuar vida afora e os resultados eu já conheço muito bem. Como pode querer que meu filho aprenda a respeitar e valorizar os outros e se tornar um cidadão consciente de seus deverem quando quem é contratado para me ajudar nessa missão não tem um mínimo de respeito e valor por parte de vocês governantes? E ainda é sugerido que são "mentirosos" em carta a nós enviada?
Outro ponto em sua carta que me chama a atenção, senhor prefeito, é a parte que diz que aumentar o salário dos professores traria "desequilíbrios graves em relação aos demais servidores municipais", ora, sem ofensa, pois todas as classes têm o direito de reivindicar melhores salário, mas, por favor, será que quem passa em torno de quatro anos em uma faculdade não pode reivindicar seus direitos, pois estariam desrespeitando outros servidores?
Por favor, não ache o senhor prefeito que sou favorável ou não a greve, sou favorável que meus filhos tenham educação de qualidade que não os deixem em desvantagem em uma competição de vestibular ou em um concurso, em relação aos demais. Sou favorável, excelentíssimo senhor Custódio Mattos, que o senhor cumpra o que foi prometido em campanha e tente dar uma NOVA cara à educação de Juiz de Fora.
O bom médico, engenheiro, arquiteto, policial, o funcionário público e o senhor prefeito, um dia, foram alunos e alguém os ajudou a chegar até aí. Por isso eu lhe peço não impeça meu filho de chegar também. Ele e outras crianças não podem pagar um preço tão alto, bem mais alto que esse piso, pelo simples fato de serem alunos de uma rede que no momento, não está preocupada com a educação deles. Em respeito a esse alunos, a esses professores, a nós pais, seus eleitores ou não, por favor, abandone essa posição cômoda de pôr a culpa nos outros e assuma a responsabilidade de governante de uma cidade que já não acredita em qualquer coisa escrita em um pedaço de papel. Chega de cartinhas, de desculpas, de jogos de palavras, de acusações, o que realmente importa é saber quem vai dar o primeiro passo para acabar com esse impasse.
Excelentíssimo senhor prefeito de Juiz de Fora, aqui fica o desabafo de uma mão que se preocupa com o futuro de seu filho e não teme em se expor se for para ajudar...
Isa Lúcia da S. Gomes

2 comentários:

Anônimo disse...

Valeu por compartilhar conosco esta carta! "Acontece, excelentíssimo, prefeito, é que, na minha profissão, se erro em algum detalhe e a minha massa não cresce, eu posso dispensá-la e fazer outra. Agora, com a educação de meu filho, isso não é possível, os erros irão perpetuar vida afora e os resultados eu já conheço muito bem."

Kinha disse...

Oi Carloa. Adorei seu blog, o modo como escreve e seu artesanato. tudo lindo. Tô seguindo!